Prefiro ter em mãos o desafio de triplicar a produtividade do que escrever algo

Dia destes recebi esta mensagem de uma executiva com mais de duas décadas atuando em multinacional. Não diria que fiquei surpresa com a frase, porque sempre a ouço em outros formatos, expressadas por profissionais no início de suas carreiras até àqueles cujas posições já chegaram a C-level.

Se olharmos pela perspectiva da formação e características do ser humano, fica fácil de compreender, porque muitas vezes, o que se apresenta como um monstro para alguns pode ser considerado um pet para outros. Eu, por exemplo, diria que prefiro escrever 10 artigos do que ter que trabalhar com P&L e aquelas planilhas cheias de colunas e linhas e números. Tenho campo de sobra para desenvolver esta competência.

Mas o fato é que, em um mercado absolutamente digital, onde o marketing de conteúdo já ganhou seu lugar no podium, seja para marca pessoal ou corporativa, diria que este é um caminho a ser percorrido. Claro, para alguns basta calçar um tênis confortável e começar a correr. Para outros, obstáculos atrás de obstáculos a serem superados.

Nunca tanta opinião e pontos de vista foram trocados em tamanha escala como é possível hoje nos ambientes online.

Impossível prever, mas uma única publicação em um perfil na rede social pode viralizar e provocar comentários e interações com pessoas a milhares de quilômetros de distância. É fato também que os acontecimentos do mundo, a promoção das relações, a massagem do ego, a geração de negócios estão, inevitavelmente, circulando e gerando impacto por meio da tela de um celular.

Nem sempre foi assim, mas agora tudo mudou…

Nem precisamos subir na máquina do tempo e fazer um longa viagem. Basta olhar como executivos de grandes empresas ganhavam prestígio e notoriedade no início deste século.

Geralmente, a assessoria de imprensa contratada pela companhia apresentava o executivo à mídia – e no pacote ia junto pontos de interesses, temas de destaque, visão da empresa, diferencial do profissional e uma série de atributos, pelos quais ele poderia ganhar destaque na grande mídia.

Também nem precisamos descer da máquina para entender que esse processo mudou. Hoje, qualquer profissional, de qualquer nível hierárquico e de qualquer empresa, pode criar seu blog, um canal do Youtube, perfil profissional nas redes sociais (Facebook, Linkedin ou Twitter) e iniciar seu caminho para, quem sabe, se tornar referência na área de especialidade.

No fundo, no fundo, o medo é do julgamento…

Cada vez mais tenho percebido que ‘o medo da exposição e do julgamento’ é o único obstáculo que estas pessoas superam. Claro, tem mais um bocado de barreiras, mas deixar de lado o pânico do julgamento do outro é o ponto de partida.

Um diretor de uma empresa certa vez me disse “me sinto totalmente confortável para fazer uma apresentação para dois mil funcionários, por outro lado, inseguro para escrever um artigo ou fazer qualquer tipo de publicação nas redes sociais”. 

Conversei com uma psicóloga sobre esta observação e ela foi categórica em afirmar que o ambiente corporativo representa um território conhecido, o que por sua vez reforça a confiança.

Quando se dirige às equipes em uma palestra, um executivo sabe com quem está falando, em qual ambiente e, quer queira ou não, sabe que naquele cenário suas palavras serão reverenciadas, porque afinal de contas, ele representa o máximo da hierarquia.

Outro fato um tanto quanto perturbador: na rede social não existe hierarquia. Talvez esta tenha sido uma das mais fortes rupturas trazidas pela tecnologia, e por sua vez, as redes sociais.

E se eu, o diretor da empresa mega-blaster XYZ, escrever algo que gere pouco engajamento? E se o artigo do rapazinho de 30 anos bombar mais do que o meu?

Este fato passa a ser avassalador, mas é factível. Sim, um conteúdo que seria ovacionado pelos dois mil funcionários da empresa, pode passar desapercebido pelo variado número de pessoas que compõem a rede de relacionamento, mas isso está longe de significar fracasso.

Não se trata de quantidade de likes e sim da marca construída ao longo do tempo…

Existem razões práticas para acreditar que um número reduzido de ‘likes’ está longe de ser vergonhoso, as quais apresento agora:

#1 – Considere a audiência invisível

Segundo vasta pesquisa da universidade de Stanford, postar nas redes sociais é como conversar com as pessoas atrás da e uma cortina, e a audiência permanece invisível – mesmo que a lista de confirmados seja conhecida, os presentes não são. Com isso, as pessoas medem a performance com base no engajamento com ‘gostei’ ou ‘comentários’. Porém, este é um pensamento ainda voltado à análise linear dos fatos – o que é absolutamente diferente nas redes.

O importante é entender que a vida e o impacto de uma postagem na rede social são longos. Pode ser que as pessoas não interajam com o conteúdo imediatamente após terem sido notificadas, mas isso não significa que não leram.

Na rede Linkedin, por exemplo, quando um artigo é publicado ele faz parte do perfil profissional, o que significa que sempre que alguém acessar o perfil terá a chance de interagir com aquele conteúdo. Além disso, cada artigo gera uma URL – o que ajuda a indexar o nome no mecanismo de busca como google (independente da quantidade de likes).

#2 – O tempo é sábio para qualquer desafio

Se estabelecer como referência em determinada área leva tempo. Uma marca se consolida ao se basear em 2C – Coerência e Consistência. O fato é que se você não gerar esta exposição online, pode ter certeza de que alguém o fará e tomará conta do espaço que seria seu na mente das pessoas. Basta lembrar da célebre colocação: quem não é visto, não é lembrado.

Pense na quantidade de conteúdo rico e elucidativo que você pode gerar. Se você é um gestor nato e conseguiu reverter resultados negativos da companhia por meio de gestão participativa, divida este conhecimento com as pessoas fora do território conhecido.

Se não o fizer, alguém que tem zero de experiência o fará, só porque leu dois ou três livros e, tem o dom de saber se expor.

#3 – Pense em você sem o crachá.

Não estou dizendo para ferir a política de comunicação ou posicionamento da empresa, mas mesmo seguindo o compliance é perfeitamente possível expor o seu ponto de vista sobre diversos assuntos, muitos dos quais nem sempre relacionados a empresa.

De repente, você participa de competições de corrida e pode fazer um link entre a dedicação e foco que são necessários para se preparar para uma maratona e para dirigir uma empresa. Hoje conversava com um jornalista que usou um termo bem bacaca: não se trata de exposição, mas sim do legado que você pode deixar só por dividir sua experiência.

Estou quase acabando…

Se eu consegui fazer você levantar a sobrancelhas com aquele ar de “hum, pode ser que…”, aqui vão algumas dicas práticas:

*Escolha um determinado segmento de temas sobre os quais seja de seu domínio. Não precisa ser somente termos técnicos e ligados a empresa, pode ser relacionado a gestão, liderança, pesquisa, tendências, superação e tantos outros.

*Se não gosta mesmo de escrever ou se sente tremendamente bloqueado, coloque as principais ideias no papel e peça ajuda a profissionais que podem estruturar seu pensamento. Existem excelentes jornalistas e redatores que atuam como Ghost Writer.

*Falar (ou escrever) uma coisa é fazer outra é receita infalível para queimar sua reputação. Seja autêntico. Sempre.

*Utilize imagens e vídeos que possam complementar o desenrolar da sua mensagem com insights lúdicos e didáticos. Desde que a fonte seja citada não se trata de apropriação indevida. Imagine só se um dia alguém usar algo que você produziu para enriquecer a narrativa!!

Sem receio e de forma leve comece, sem a intenção de se tornar filósofo ou poeta. Se nem Roberto Carlos agradou a todos, por que você deveria fazê-lo?.

Caso precise de um bocadinho mais de insights clique aqui para baixar o e-book Escreva Algo. Seja Ouvido. Gere Oportunidades.

E se quiser compartilhar comigo seus artigos, ficarei honrada e feliz. Basta marcar o meu nome na sua postagem com @lucianeborges.

Até a próxima.

Luciane Borges

Fonte imagens : google image

Sobre a autora – Geminiana idealista, apaixonada por aprender e ensinar, fissurada pelo poder das redes sociais, sou executiva de comunicação, relações públicas, estrategista de mídias sociais, e palestrante, com MBA em Comunicação Corporativa pela Fundação Getúlio Vargas.

Após atuar por mais de 20 anos em multinacionais dos segmentos B2B e B2C, desenvolvendo projetos para construção de reputação e consolidação da marca, resolvi inovar na carreira, mergulhando no universo digital.

Hoje, assessoro profissionais e empresas a construírem e fortalecerem reputação digital, por meio de posicionamento estratégico nas redes sociais profissionais. Idealizadora da BeIn Digital, ministro cursos online sobre LinkedIn, sou palestrante sobre o tema e conduzo workshops – visando à ensinar os profissionais a explorarem tudo o que o LinkedIn oferece.

Visite o meu perfil e visualize minhas publicações

Convido-o a visualizar meu canal no youtube e assistir a todos os vídeos da série: Como Destacar o seu Perfil no LinkedIn.

One comment on “Prefiro ter em mãos o desafio de triplicar a produtividade do que escrever algo”

  1. Maria da Luz Nunes Preto Calegari disse:

    Sensacional este artigo, Luciane. Tomara que muita gente o leia. Sábias as 3 dicas principais e o esclarecimento que destaco: “Cada vez mais tenho percebido que ‘o medo da exposição e do julgamento’ é o único obstáculo que estas pessoas superam. Claro, tem mais um bocado de barreiras, mas deixar de lado o pânico do julgamento do outro é o ponto de partida”. De fato, todos temem o julgamento alheio. Não se dão conta de que ele sempre existirá. Por quê? Porque as pessoas têm visões de mundo diferentes e costumam valorizar nos outros aquilo que para elas tem valor, sem atentar para o fato de que o progresso da humanidade é fruto de diferentes propósitos, percepções, talentos e prioridades. Parabéns.

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