A cômica conversa com a minha mãe sobre marca pessoal

Sentada no sofá, notebook no colo, estava escrevendo novo artigo novo o meu blog, quando minha mãe lança a derradeira pergunta: “Minha filha, o que é que você faz mesmo?”

Como Pedagoga de formação, Relações Públicas por conta dos longos anos atuando na área no mundo corporativo, sempre foi um desafio responder à esta pergunta específica de forma que quem está perguntando, efetivamente, entenda o que eu faço.  Creio que seja raro um profissional de Relações Públicas que não tenha passado por isso.

Ainda sim, mesmo na minha época de “firma”, minha mãe possivelmente pensava: “não sei bem o que ela faz, mas sei que trabalha numa empresa grande, é registrada, ganha um bom salário e no final do ano, se a empresa for bem, ganha mais ainda do que o 13º salário (o tal do Bônus).

De lá pra cá, o mundo mudou, o telefone deixou de ser um mero aparelho na sala de TV com extensão no quarto, surgiu a programação de TV a cabo, eu não trabalho mais na “firma” (assim como o meu pai fez por 28 anos; na mesma empresa), deixei o mundo corporativo, mas ainda penso que para minha mãe a dúvida continua.

De volta ao sofá vem a segunda e inédita pergunta: “Marca pessoal (exclamou ao ler o título do artigo que escrevia)? O que é isso? Um pessoa tem marca? Conheço marca de produtos, mas de gente nunca ouvi falar “.

Ai, ai, ai mi corazon. Como sair desta? A única certeza que eu tinha era que seu eu conseguisse explicar o que é marca pessoal para a minha mãe, escrever sobre o tema seria muito mais simples e natural. Resolvi tentar.

O início da resposta

A senhora percebe que a forma como as pessoas estão trabalhando tem mudado drasticamente, não? Acompanhando essa tendência, estamos vendo um crescente número de pessoas que perderam seus empregos. E para adicionar mais pimenta nessa sopa, muitos jovens estão se formando na faculdade e, não, necessariamente, sonham em ficar na mesma empresa anos a fio.

Seja por vontade própria ou não, as pessoas estão deixando de viver com um sobrenome corporativo. Meu pai trabalhou anos e anos na Phillips, era notadamente conhecido como Roberto Borges da Phillips e a turma de amigos era denominada “Phillipinos”.  Ufa, haja influência da marca.

Pois bem, talvez como parte da evolução ou do instinto de sobrevivência diante da forte competição que ronda o mercado, surgiu esse conceito de marca pessoal, que a grosso modo é saber vender-se melhor. Assim, como se vende um produto. É mostrar ao mercado seus valores e diferenciais, criando e reforçando sua identidade única e que a diferencie de seus concorrentes.

Em sua simplicidade, minha mãe responde: “Ah, tipo uma pessoa ‘aparecida’ que fica se mostrando?”.

“Eu não resumiria em ‘ficar se mostrando’  nesse sentido, mas sim, criar e mostrar valores e diferenciais para seus possíveis clientes e compradores.”

Imagine que esteja num supermercado, com aquelas gôndolas abarrotadas de produtos de diferentes marcas. Como as pessoas escolhem? O que faz alguém comprar um produto ao invés de outro? O consumidor escolhe muito mais por conta da marca e da confiança que deposita na mesma. Indo mais além, também escolhe pela forma como a marca se relaciona com ele. Só que, muitas vezes, na correria do dia a dia ou na dúvida diante de tantas ofertas, acaba consumindo a marca que está em evidência na prateleira.

Com as pessoas é igual.  São milhares e milhares de marcas pessoais competindo por seu espaço. Competindo para chamar a atenção e ganhar a confiança de seu público. Para ser escolhida. E nesse ciclo ser lembrado é algo fundamental. A diferença aqui é que as gôndolas estão online. Em forma de site, blog, perfis, fan page, vídeos e aí por diante, as prateleiras agora estão nas nuvens.

“Como assim, no céu minha filha”?, perguntou ela. Não mãe, esquece o que falei. Não é no céu, nem nas nuves, é na internet.  A esta altura senti que seria muito mais desafiador do que imaginei e comecei a pensar em exemplos práticos.

O exemplo prático 1 – o caso do Arthur (filho da dona Lourdes)

Sabe o Arthur, filho da Dona Lourdes? Ele foi demitido ano passado e desde então vem buscando  alternativas de trabalho, porque tem sentido dificuldade para arrumar emprego. Como ele trabalhou como especialista nas áreas de logística, decidiu prestar consultoria para pequenas e médias empresas que precisam de soluções  para controladoria, expedição e almoxarifado. Muito inteligente. Ele definiu um público claro onde a demanda pelo conhecimento dele é alta.

Só que para conseguir clientes, para construir sua marca pessoal, comprovar o seu valor e divulgar o seu trabalho, ele criou perfis nas principais redes sociais. Por meio de vídeos, artigos e imagens Arthur vem mostrando que ele é muito melhor que seus concorrentes naquilo que sabe fazer. O resultado é a forte identidade que ele está criando. Sem falar do engajamento que essa exposição gera, mesmo que seja para futuras oportunidades

“Sei”, respondeu minha mãe. Aquele SEI do tipo que respondemos quando não entendemos nada. Achei que deveria tentar outro exemplo.

O exemplo prático 2 – o caso do lombo com batatas

É mais ou menos assim, Dona Maris.  Quando chega próximo às várias comemorações em família (tipo Natal, Ano novo, Dia das Mães e outras tantas), qual é o prato que todos pedem que a senhora faça? Perguntei a ela.

Com aquele orgulho sobre os dons gastronômicos que lhe é peculiar, de cara ela respondeu: “o lombo com batatas”. E ainda continua se gabando: “sabe que até o Carlos (meu ex-cunhado) ainda fala daquele lombo?”.
Então Dona Maris, respondi: A senhora já tem uma marca pessoal; a de extraordinária cozinheira. E o seu produto mais pedido, aclamado e reconhecido é o lombo com batatas. Aqui cabe um à parte, uma pena que ainda não tenhamos chegado ao mega-blaster avanço tecnológico que transmite sabores online. Caso fosse possível, certamente, você se deleitaria com o dito cujo do famoso prato da minha mãe.

E continuei.”Imagine que a senhora resolva fabricar este produto e vender em escala, atendendo diversos pedidos nas datas comemorativas. Nós da família conhecemos de longa data o seu dom culinário, mas vender em escala significa vender pra muita gente. A primeira coisa que a senhora teria que construir seria o seu nome. A sua marca.”

“Imagine, algo do tipo ‘Deleites culinários da Dona Maris’”.

Mas quem é Dona Maris? O próximo passo seria responder a esta pergunta, com a sua história, seu amor pela culinária, seu dom de misturar tudo que tem de sobra na geladeira e fazer um banquete. Enfim, fazer com que seus possíveis compradores indentifiquem-se com as suas palavras. “Depois, seria muito simpático compartilhar o seu conhecimento com essas pessoas, divulgando receitas. Aliás, já imaginou ter um canal no youtube ensinando suas receitas?”.

“Ah. Esse eu conheço”,  comenta ela. “Sempre assisto as receitas do Edu nesse youtube”. Para todos os efeitos, esse Edu que parece íntimo é o Edu Guedes – um cozinheiro celebridade da TV (não me arrisco a ir além, porque culinária é algo que não me apetece e posso comenter algum engano em qualquer comentário adicional).

” O seu canal no youtube pode trazer receitas e variações do lombo com batatas. E daí quanto mais pessoas assistem, compartilham e comentam, mais a sua marca vai ficando conhecida de maneira diferenciada, representando aquilo que sabes fazer melhor do que ninguém.

Tem um famoso ditado que diz: as pessoas podem esquecer o que você disse, o que você fez, mas nunca vão esquecer Como você as fez sentirem-se. E eu diria que no seu caso, elas se sentiriam muito, muito, muito bem e satisfeitas.”

E foi então que ela respondeu: “Nossa, como as coisas mudam. Agora posso ter um marca pessoal. A cada dia tem algo novo. E essa internet é poderosa mesmo”.  E finalizou assim: “A canja está pronta. Vamos jantar?”.

Sobre a primeira pergunta, estou até pensando em escrever algo bem específico sobre. Quanto ao artigo que estava escrevendo, bem, deixo para a próxima e finalizo este com uma clássica frase do Tom Peters.

“Hoje, o mais importante para quem quer trabalhar e fazer negócios é ser diretor da marca chamada Você”.

Você tem pensado na sua marca pessoal? Compartilhe sua experiência ou até mesmo suas dúvidas.

Até a próxima. Luciane Borges

 

*imagens freepik

 

One comment on “A cômica conversa com a minha mãe sobre marca pessoal”

  1. Robson Magno Rosa disse:

    Excelente matéria, bem didática! Parabéns Luciane!

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