O Networking da Esperança pode ser fatal na sua busca por emprego

“Desemprego é o maior da história e ainda não chegou no fundo do poço”.  Quando me deparei com a chamada desta matéria, junto ao sentimento de tristeza por presenciar este momento crítico no nosso país, logo pensei: Poxa, isso significa mais pessoas desesperadas, famílias inteiras sofrendo, aumento do stress e consequentemente aumento do número de gente quase que em depressão. Como negar este fato? Como deixar que a posição de desempregado não tire a estrutura financeira e pessoal de qualquer pessoa?

A esperança seria uma opção?. Sim, podemos nos agarrar a ela. Desde pequena, a famosa frase “a esperança é a última que morre”, acompanhou diversos acontecimentos da minha vida. Acredito que também tenha sido proferida por milhares e milhares de pessoas, em diversas situações.

Dia desses, li uma declaração bacana sobre ter esperança. Uma profissional me escreveu dizendo que “ainda não está recolocada, mas que acredita que agora terá mais chances no mercado”. Pelo pouco que a conheço, as chances as quais ela se refere são puro resultado da forma como ela está encarando este momento de vida e como ela lida com as frustações, falta de resposta das empresas com relação à candidatura para determinada vaga ou até mesmo paralização dos convites para entrevistas. Ela continua tentando e buscando novas maneiras de conseguir o que quer.

A mensagem dela me chamou a atenção, porque é quase que rara em comparação com dezenas de e-mails que recebo e centenas de posts que leio aqui no LinkedIn, seja no feed de notícias, grupos ou em mensagens privadas. Vejo muita gente praticando o que chamo de “networking da esperança”; o que me preocupa demais, pois, invariavelmente, esta estratégia não funciona e vai chegar um dia em que “sim” a esperança pode acabar morrendo.

Praticar o “networking da esperança” pode ser fatal para a carreira e não ajuda muito àqueles que estão buscando emprego. Longe de mim e de todas as formas, estar criticando. Muito pelo contrário, meu intuito aqui é alertar para ações que podem passar desapercebidas ou vistas como naturais, mas que estão distantes de ajudar, e trazer sugestões que gerem resultados positivos. Por isso, listo 3 atitudes e práticas típicas de um modelo nada efetivo de networking:

 1E-mails disparados a rodo, com texto gigante e arquivo de CV anexo. Vamos analisar juntos quão efetivo é esse movimento? Quantas vezes você foi chamado para uma entrevista, porque enviou um e-mail a um amigo ou um mero conhecido, dizendo que “agradeço se puder encaminhar para a sua rede de contatos” ou “agradeço se encaminhar o meu CV para alguma posição com o meu perfil”?.

Na correria do dia a dia, com todos lutando para manter seu lugar ao sol, qual o percentual de contatos que recebem o seu CV e, efetivamente, o leiem e o encaminham?

Vamos supor que 20% o façam e endereçem a sua mensagem ao RH de suas empresas. Ainda supondo que seja uma empresa com 1000 mil funcionários e que 40% destes enviem e-mail com CV para o pessoal de RH, num período de 10 dias, o recrutador receberia cerca de 400 CVs para analisar e, possivelmente, apenas  manter no cadastro da empresa, pois não há vaga aberta no momento. Ou mesmo que haja, nenhuma vaga para a área do perfil em questão e, detalhe, a triagem de candidatos é realizada via sistema de candidatura da empresa (seja qual for).

Me diga, qual o resultado que esse tipo de email trás? Qual a resposta de uma série de e-mails enviados “na esperança de que algo aconteça”?

E SE, ao invés disso…

Você enviar emails, totalmente personalizados, aos cuidados de profissionais que possam agregar a sua busca. Mesmo que não sejam conhecidos, mas que atuem diretamente com RH ou recrutamento & seleção.

Listar alguns nomes de conhecidos e marcar um café, almoço, bate-papo, happy hour e, aí sim, explicar seu momento de carreira e deixar claro que está em busca de uma posição no mercado.

Fazer uma lista das empresas nas quais gostaria de trabalhar, acessar o site destas empresas e preencher seu cadastro no sistema de recrutamento. Particularmente, acho esta parte cansativa. Eu quase que odiava ter que ficar preenchendo cadastro em sistemas diferentes. E ainda tem alguns que não aceitam copiar e colar. Ninguém merece!! E vou falar, só fazia porque sabia que era necessário.

2- Amigos e/ou conhecidos, compartilhando o seu perfil no LinkedIn, geralmente, acompanhado de textos como: “vamos ajudar fulano de tal a conseguir recolocação no mercado” ou algo do gênero.

Peço novamente que acompanhe o meu raciocínio. Neste caso, a plataforma escolhida é bem assertiva, pois o LinkedIn tem forte direcionamento e funcionalidades para empresas recrutarem talentos e talentos encontrarem as empresas. Ótimo, até aqui.

O fato é que fico questionando será que isso traz resultado? No universo LinkedIn, somente no Brasil, estamos falando de 25 milhões de perfis, sendo que cada perfil recebe em seu feed de notícias atualizações quase que a cada segundo.

Ou seja, qual a possibilidade de a mensagem compartilhando o seu perfil aparecer,  no meio de tanta informação, para algum recrutador que esteja buscando candidatos, sendo que o próprio recrutador busca candidatos de outra forma? Quais as chances de a mensagem com o perfil compartilhado chegar no feed de notícias de um recrutador, exatamente no momento em que ele estiver navegando por lá?.

Matematicamente falando, se o seu conhecido tiver seiscentas conexões, é este o número de perfis que terá acesso inicial à mensagem, a não ser que alguém faça a gentileza de compartilhar. Indo um pouco além, aqui vemos a convergência da esperança com a sorte (muita sorte!!).

E SE, ao invés disso…

Novamente, o café, almoço, happy hour fazem toda a diferença. De repente, é num bate-papo assim que surge uma ideia de negócio, vem a mente o nome de outras pessoas que possam ajudar, ou até mesmo a lembrança de alguém que comentou sobre um profissional que acabou de mudar de empresa e que deixou uma vaga livre. São tantas as possibilidades, infinitamente melhores das que podem surgir quando um mero email está sendo lido.

Quando efetuar uma candidatura, buscar a fundo o nome de pessoas que trabalham em tal empresa e que, direta ou indiretamente estejam conectadas com você. Aí sim, pedir a algum conhecido que “reforçe” a sua candidatura ao “fulano de tal” da empresa X.

 3 – Spam no LinkedIn, quando a mesma mensagem vai para um grupo de pessoas, as quais podem ver que trata-se de uma mensagem nada personalizada, tipo spam mesmo. Esta eu considero uma das mais fatais atitudes do “networking da esperança”, pois bloqueia ou até mesmo atrapalha qualquer tipo “verdadeiro de networking”, algo absolutamente factível neste ambiente.

Considero e e-mail spam menos pior, porque é possível deixar os destinatários em cópia oculta. Agora no LinkedIn, não há como fazer isso enviando mensagem a um grupo de pessoas e, mais uma vez pergunto: Funciona mesmo? Quantos convites para entrevistas foram recebidos por meio deste processo? Quantas pessoas nem sequer respondem? E quantas saem da conversa?

E SE, ao invés disso…

Novamente, com a lista de empresas-alvo, buscar perfis de profissionais que atuam em tais empresas e convidar estas pessoas para fazer parte da sua rede de conexão, para ampliar o seu networking de forma direcionada.

Buscar ex-colegas de Escola, Faculdade e MBA e convidá-los a fazer parte da sua rede de contatos. De repente, numa troca de mensagens descobre que o “ciclano”, que estudou com você há 15 anos, ocupa um cargo de influência exatamente na empresa que voce listou como “gostaria de trabalhar aqui”.

Gosto  muito de ditados, parábolas ou clássicos exemplos e um dos quais mais me motiva é: “Quando você deseja algo o universo conspira para que você realize o seu desejo”. Profundo, não? Tenho dezenas de exemplos que demonstram a força desta máxima. Tipo, quando encontrei um conhecido que não via há anos e, que por sinal, trabalhava na empresa na qual havia me candidatado recentemente. Ou quando cruzei com uma pessoa que me indicou um excelente curso online gratuito para aprender algo novo no momento em que estava desempregada.

Mas o universo não faz tudo sozinho e uma mãozinha sempre ajuda. Tem uma célebre colocação de Albert Einstein que diz:“loucura é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

O efeito mais fatal do “networking da esperança” é que ele pode estar bloqueando as chances de algo efetivo acontecer. Os dedos cruzados na espera por uma resposta que dificilmente virá, poderiam estar criando oportunidades verdadeiras.

Então, aqui vai um convite.

Se o que você tem feito até agora lhe trouxe resultados pouco satisfatórios, que tal dar uma mãozinha para o universo e fazer de outra forma?

Sem dúvida, a esperança segue como companheira fiel, mas é com as suas mãos e o seu esforço que você desenha o futuro que sonhou. Mãos à obra e sucesso.

Acabei de ler um post interessantíssimo do Daniel Araújo, cujo título convidativo“Comece agora para estar empregado de manhã…” nos remete a formatos inovadores para ampliar seu networking com foco no seu objetivo.

Diga-me se este conteúdo pode lhe ajudar de alguma forma e fique à vontade para compartilhar com a sua rede.

Até a próxima. Luciane Borges

9 comments on “O Networking da Esperança pode ser fatal na sua busca por emprego”

  1. Robson Magno Rosa disse:

    Concordo com o conteúdo do seu texto. Bem esclarecido!

    1. Oi Robson. Agradeço pela leitura e comentário.
      Abraços, Luciane Borges

  2. Claudio disse:

    Gostei do texto, bastante esclarecedor. Cuidado nunca é demais.

    1. Super obrigada pela leitura e comentário Claudio. Abraços, Luciane Borges

  3. Flavio disse:

    Luciane, mais uma vez achei seu texto muito interessante, e mesmo ele também vem com uma carga de esperança embutida, com certeza mais objetiva, mas ainda assim esperança.
    Talvez minha percepção seja em função de minha experiência de vida.
    Já não trago muita esperança comigo mas sempre a certeza que as coisas vão melhorar, mesmo quando eu tenho que dar não um passo atrás, mas dez para continuar indo para frente.
    Não acredito na caridade alheia, mas sim no meu esforço próprio para que as coisas aconteçam, daí sim a importância de se ser seletivo no Networking. Não tenho esperança, mas sou brasileiro, não desisto nunca.

    1. Flávio. Super bacana seu comentário. Gostei muito mesmo. Voce tem toda a razão, nós brasileiros nunca desistimos. Sucesso pra ti. Abraços, Luciane Borges

  4. Foi bem lu..porem em epócas de mídias audiovisuais..e com falta de tempo para nos encontrarmos. sentarmos juntos, e trocar cartões,..enquanto que um pedido desses..a pessoa acessa seu perfil e ve se vc realmente tem o que ela busca. Também não sei, ate que ponto temos, desempregados como investir em cafezinhos, happy hours,..pra dizer..olha estou disponível..Mas enfim..é uma alternativa..sim, claro.

    1. Rodrigo. Super agradeço por seu feedback e contribuição. Olha só, outra opção gratuita para substituir encontros que gerem despesas, seria uma skype call. Abraços. Sucesso pra ti!

  5. Maria da Luz Nunes Preto Calegari disse:

    Como sempre, seus comentários são muito lúcidos e apropriados à realidade atual. Fornecer um caminho prático é de grande utilidade para quem, muitas vezes, não enxerga algo mais consistente do que a esperança, e que na verdade carece exatamente de consistência.

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