O mercado competitivo adverte: não há vagas para Dinossauros.

Lembro-me de várias analogias lúdicas utilizadas para descrever determinado perfil de profissional, quando comecei minha carreira. Minha passagem pelo mundo corporativo teve início da área de Recursos Humanos, portanto, muito se ouvia do “Jerubal Pascoal – Chefe de Pessoal”. O carinhoso apelido descrevia uma pessoa que ainda acreditava que a área de RH resumia-se ao departamento pessoal e, obviamente, era relutante ao RH Estratégico (uma tremenda quebra de paradigma para a época).

Ao deixar a sala de RH – geralmente localizada próxima à portaria da fábrica, para facilitar a recepção de candidatos, adentrávamos nos corredores do aquário. Sim, as salas envidraçadas e fechadas, com plaquinha na porta informando nome e cargo do “chefe” que ali trabalhava. Generalizações à parte, a lúdica descrição de muitos dos líderes responsáveis por gerenciar o negócio era “Gerentes Dinossauros”.

Também conhecidos como Dinossauros Corporativos, a espécie é formada por perfis que deixam de contribuir para o verdadeiro crescimento da empresa e a manutenção de um agradável ambiente de trabalho.

Naquela época fazia muito sucesso a série de TV “A Família Dinossauro”. Apesar de classificada como programa infantil, trazia críticas bem humoradas sobre o “estilo americano de vida”, satirizando costumes arraigados da sociedade.

Gosto muito do episódio no qual Dino foi pedir aumento ao seu chefe, o Senhor Richfield (qualquer semelhança é mera coincidência).

Dia desses estava palestrando para um grupo de executivos em transição de carreira e o Senhor Richfield (chefe do DINO) me veio à mente. Falar sobre Marca Pessoal e Carreira na Era Digital para profissionais cujo histórico de carreira mostra fidelidade à empresa anterior, começou a ecoar. Num determinado momento, percebi que muitos dos presentes nunca sequer estiveram “em transição de carreira” durante a vida toda.

Ao conversar com os participantes foi até possível classificar as espécies: Baby boomers, Geração X e pouco mais de três filhotes da Geração Y, porém todos buscando recolocação no mercado de trabalho.

Mas sega qual for a espécie, impossível deixar de olhar para o novo cenário de mercado. Quando eu atuava no mundo corporativo, trabalhava como louca para cumprir prazos, lançar projetos, gerir equipes e pouco tempo sobrava para olhar para a minha carreira. Eu só olhava para o resultado que eu traria para a empresa que estava me pagando. E gostava muito de agir assim.

Networking. Leituras-extras. Cursos. Especializações. Aff…nem pensar! Todo tempo dedicado ao trabalho. Ninguém faz isso em sã consciência, mas sim porque gosta da empresa onde trabalha, gosta do que faz, admira sua equipe e o clima da empresa. A gente só esquece que se até os dinossauros foram extintos imagine uma função. De uma hora pra outra a relação acaba. E o que fica é o vazio, abarrotado de medo e insegurança.

Agora, esse grupo tem que descobrir como arrumar emprego em uma era desconhecida. Da pré-história para o digital, vai além de modismos e novos conceitos. Estamos falando de uma total ruptura na forma como relacionamentos são construídos, pessoas se posicionam, fazem negócios e são contratadas.

A geração de DINOS ainda está presa ao tradicional envio de Curriculum Vitae para vagas anunciadas para depois checar se há algum conhecido que trabalha naquela empresa e que possa indicá-lo. Sim, networking ainda funciona. Aliás, é a base para a construção de uma carreira de sucesso. Mas o networking deve ser nutrido ao longo do tempo.

O mercado competitivo de hoje pede a construção de relacionamentos baseados na troca. Costumo dizer “Seja Interessante e Não Interesseiro”. Neste processo há sutilezas que fazem toda a diferença. Como por exemplo, oferecer à sua rede de conexões conteúdo de valor.

Parte desta ruptura se chama rede social. A outra se traduz em construir sua reputação digital. Sim, espécies de Dinossauros ainda acreditam que é perder tempo, mas eu lhes garanto que é ganho de mercado e posicionamento. Por meio das redes sociais é possível construir uma marca pessoal forte e que o acompanhe ao longo da trajetória profissional. É possível ganhar destaque não por conta do sobrenome corporativo (pois esse pode desaparecer com o tempo), mas por ser referência na sua área de atuação.

Sempre me perguntam sobre a dificuldade de recolocação para quem está acima dos 50 anos. Isso é fato, mas não siginifica que seja impossível. Só que para interferir nesta realidade, novos modelos de aproximação com o mercado devem ser colocados em prática. Paradigmas e mais paradigmas devem ser quebrados.

Muito, mas muito provavelmente, seu próximo emprego não virá pelo mesmo caminho de 20 anos atrás. Os caminhos são outros. Podem até ser mais longos e tortuosos, mas é fato também que neles se encontram novas oportunidades.

Na eventualidade de mencionar a fatídica frase: “já mandei vários CVs e nenhuma resposta”, feche os olhos e ouça a si próprio. Talvez encontre o som emitido por uma das espécies em extinção, o qual, além de ser pouco absorvido pelo mercado, certamente, colocará barreiras intransponíveis no seu caminho.

De forma alguma digo que é simples, porém é inevitável para que você continue sua história profissional. Portanto, extermine o dinossauro que há dentro de você.

Até a próxima.

Luciane Borges

2 comments on “O mercado competitivo adverte: não há vagas para Dinossauros.”

  1. Luciane, Parabéns pelo texto!!! Gosto muito dos seus artigos.

    É impressionante ver os “dinossauros” falando sobre inovação, melhoria dos processos, utilizar a mão de obra no máximo de sua excelência, qualidade, gestão estratégica, etc. Participam de cursos internos e externos da organização, mais na hora de colocar a “mão na massa” se transformam em verdadeiros “Sr. Bradley Richfield – o Chefe da Família Dinossauro”.
    Abraços e Sucesso!!!

    1. Oi ELiseu. Que bacana o seu comentário. Exatamente o que disse, muito mais discurso do que mão na massa.
      Abraços e Sucesso pra ti. Luciane

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